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domingo, 8 de março de 2015

Às guerreiras do Curdistão e do mundo, que correm com os lobos e a liberdade.



Há muito questiono o que é essa busca da liberdade da Mulher dentro de nossa Sociedade Patriarcal.
Foto da página Kurdish Female Fighters Y.P.J

Percebia uma confusão entre o que era a busca de igualdade e de liberdade. As perguntas eram: quero preservar esse modelo social que nada tem a ver com meu pensamento do que seja uma sociedade igualitária? O que eu quero é me libertar enquanto mulher e poder expressar nesse mundo toda a energia pertencente ao ser feminino ou ser igual? Até quando essa igualdade de Direitos não se confunde com a igualdade de gênero? 

Eu não quero ser igual aos homens, quero que nos completemos, fato só é possível em um mundo onde a Mulher for livre de fato. Enquanto não houver essa real liberdade,  haverá um desequilíbrio.

O que vejo é uma mulher cada vez mais presa aos conceitos desse mundo Patriarcal,  que novamente a usa como forma de preservação e domínio. De uma forma mais sutil, a faz compactuar e reproduzir em si esses princípios separatistas e destruidor, muito longe dos construtivos e gregários, próprios do Ser Feminino.

Ou seja, a Mulher nos últimos anos não estava se libertando, mas sendo utilizada para preservar a estrutura que a dominou durante séculos. Ela passou a ser necessária para a demanda de produção da sociedade industrial do século XIX, e no  XX  foi acrescentada na demanda de consumo. Apenas mudou sua tarefa, mas não sua prisão e utilização, tanto que nessa sociedade encontramos os mesmos comportamentos e visão masculina em relação à mulher de séculos atrás.

Algumas leituras fizeram com que aprofundasse esse pensamento, isso lá pelos anos 80 e 90. Uma delas, Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkila Estes, onde encontrei todo o grito preso de minha ancestralidade e dei um rumo a esses questionamentos.

“ A fauna silvestre e a Mulher Selvagem são espécies em risco de extinção.

Observamos, ao longo dos séculos, a pilhagem, a redução do espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Durante longos períodos, ela foi mal gerida, à semelhança da fauna silvestre e das florestas virgens. Há alguns milênios, sempre que lhe viramos as costas, ela é relegada às regiões mais pobres da psique. As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas, com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros.

Não é por acaso que as regiões agrestes e ainda intocadas do nosso planeta desaparecem à medida que fenece a compreensão da nossa própria natureza selvagem mais íntima. Não é tão difícil compreender por que as velhas florestas e as mulheres velhas não são consideradas reservas de grande importância. Não há tanto mistério nisso. Não é coincidência que os lobos e coiotes, os ursos e as mulheres rebeldes tenham reputações semelhantes. Todos eles compartilham arquétipos instintivos que se relacionam entre si e, por isso, têm a reputação equivocada de serem cruéis, inatamente perigosos, além de vorazes... ”.

Clique na imagem para abrir o livo



As leis mudaram, as funções mudaram, mas a relação continua igual e para piorar, a meu ver, grande parcela das mulheres assimilou tanto esse jeito de ser masculino, que enterrou de vez seu ser mais profundo. Isso auxilia a promover toda espécie de desequilíbrio não apenas psíquico quanto social.

Por esse motivo acompanho com grande entusiasmo os acontecimentos no Curdistão, como uma luz ao final do túnel, onde conscientemente as ações revolucionárias estão gerando outros padrões de relação entre os gêneros. Uma revolução dentro da revolução.

Foi após a tomada de Kobane pelo YPJ (Unidades de Defesa das Mulheres), invadida pelo ISIS (Estado Islâmico), que nós do Ocidente passamos a ter mais informações sobre o que vem acontecendo naquele canto do mundo.

Não pretendo me estender agora sobre os detalhes, visto a complexidade do assunto.

Neste Dia Internacional da Mulher, pretendo apenas deixar esse questionamento  e  prestar minha homenagem a essas Mulheres Guerreiras em sua essência!!! Mulheres que lutam para transformar seu mundo em todos os seus espaços e não compactuam com essa futilidade que nos transformam em objetos de uso e consumo. Àquelas Mulheres que  procuram ir além da igualdade de direito, procuram a sua liberdade para construir na Terra uma sociedade onde a justiça, a irmandade, a relação com a vida não se baseie na destruição e exploração, mas na solidariedade e união com todos os elementos que nos rodeiam.

Como diz em seu livro, “Liberando la vida: la revolución de las mujeres”,  Addullan Ocalan, militante curdo e preso político,

A liberdade da mulher desempenhará um papel estabilizador e igualador na formação da nova civilização e ocupará seu lugar em condições de respeito e igualdade. Para conseguir isso, temos que trabalhar no nível teórico, programático, de organização e implementação. A realidade da mulher é um fenômeno ainda mais concreto e analisável do que conceitos como “proletariado” e “nações oprimidas”. O grau de transformação possível da sociedade está determinado pelo grau de transformações que consigam as mulheres. Da mesma forma, o nível de liberdade e igualdade da mulher determina a liberdade e igualdade de todos os setores da sociedade. Por isso, o nível de democracia que alcance as mulheres é decisivo para o estabelecimento permanente da democratização e secularização. Para uma nação democrática, a liberdade da mulher tem uma grande importância, já que uma mulher livre constitui uma sociedade livre. A sociedade livre constitui por sua vez uma nação democrática. Por outra parte, a necessidade de mudar o papel do homem é de uma importância revolucionária.
O amanhecer de uma era de civilização democrática representa não somente o renascimento de todos os povos, se não também, de forma mais específica o auge da liberdade das mulheres. A mulher, que foi a deusa criativa da sociedade neolítica, sofreu perdas incessantes no decorrer das sociedades de classes. Inverter esta história acarretará inevitavelmente transformações sociais mais profundas. A mulher, renascida para a liberdade, se somará a liberdade e justiça no âmbito geral da sociedade, em todas as instituições, em todos seus níveis. Convencerá a todos que a paz, e não a guerra é mais valiosa e desejável. O triunfo da mulher é o triunfo da sociedade e do indivíduo em todos os níveis. O século XXI deve ser a era do despertar..."

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Sobre Gratidão

Gratidão é uma luz potente que remove os destroços deixados pelas batalhas que travamos e cicatriza as feridas mais profundas de nossa alma. Gratidão tem um potente poder de Cura!!!

Ela é uma das energias mais transformadoras que podemos possuir.

Energia? Sim. Energia emanada pelo coração, nossa grande e ainda desconhecida usina de força. Como diz na Agni Ioga,  a qualidade do coração é necessária para todas as ações sutis; ele é a ponte entre os mundos.

Diria que se o pensamento tem poder, como muitos dizem acertadamente, é no coração que está a força de propulsão dessas ondas que emanamos através da mente.  O poder do pensamento é apenas uma pequena parte desse processo e  a Terra seria outra se entendêssemos essa força maior, pois é no coração onde se concentra o verdadeiro poder.

Só que para ele ser conquistado é necessário muita transformação e quando somos gratos pela vida e tudo que nos acontece,  entramos nesse processo de cura e transmutação.


Precisamos urgentemente nos reencontrar com a Gratidão.

Sermos gratos pelo ar que respiramos, pela terra que pisamos, pela água que bebemos, pelo riso que recebemos e enviamos, pelo alimento que comemos, pela dor que nos alerta, pela angustia que nos libera, pela perda que nos movimenta...

A cura nesse mundo não chegará sem que antes aprendamos a ser gratos pelo que temos.



Deixo um vídeo que recebi de uma amiga do Blog, onde o Diretor de cinema Louie Schwartzberg, apresenta um trabalho onde fala sobre a Gratidão. Para quem não se lembra, esse é o Diretor de Koyanisquatsi, um clássico dos anos 80. Conhecido também como o pai do high-end cinematografia com lapso de tempo. As imagens são linda e as palavras profundas.

Grata, pela atenção.


domingo, 8 de abril de 2012

Semeando V: Escolhas que mudam vidas



Na postagem de ontem “Otimismo Voluntário” contei sobre uma escolha que fiz, ao não deixar meu coração congelar em meio ao sofrimento.

Enquanto escrevia lembrei de um livro que li recentemente: “Escolhas – dirigem seu presente, redigem seu futuro”.

Hoje é Páscoa, dia que celebramos o renascimento, um bom momento para falar sobre esse livro, pois em síntese conta a história de duas pessoas que optaram por renascer. Escolheram Viver e dar Vida.

O livro foi escrito por Marisa Mello Mendes, mãe de 30 filhos e um de seus 27 filhos adotivos, Renato Mello. Ambos, foram vítimas de violência infantil e são exemplos de pessoas que deram novos significados às suas vidas.

Renato Mello é considerado o maior caso de sobrevivência a extrema violência na infância da América Latina. Sua história foi divulgada amplamente pela mídia e hoje atua como palestrante, conselheiro e voluntário da instituição Parábola, ao lado de Marisa.

Como diz Marisa Mello, “Muitas pessoas declaram-se meros atores em um roteiro pré-escrito da vida. Nesta obra Renato Mello lhe motivará a descobrir-se como autor de sua própria história, compartilhado suas escolhas. A emocionante narrativa de sua trajetória de vitórias e superação, após uma infância de violências além da compreensão e resistência humana, lhe dará a perspectiva de que aceitar o possível não é suficiente. Seja encorajado a escolher viver além das expectativas e projeções pessoais! ….”

Ao contar sua história, Renato nos leva a várias reflexões sobre nossas vidas e o mundo no qual vivemos. Em muitos momentos me emocionei profundamente com sua narrativa, sua dor infantil, física e emocional ao não entender o que lhe acontecia. Sua doçura, mesmo em meio a tanto sofrimento me dava vontade de resgatar aquela criança e ao mesmo tempo pensava: "Ele agora está aqui escrevendo, nos tocando, porque lá fora outras crianças estão sendo submetidas a torturas e maus tratos das mais diversas formas".

Ele faz a sua parte se dedicando a um trabalho de resgate e conscientização sobre esse grave problema de nossa sociedade. Fico grata a ele e ao mesmo tempo envergonhada por pouco fazer a respeito. 

Porém, mais Grata ainda, por saber que pessoas como Marisa existem nesse nosso mundo, acolhendo sementes e cuidando dedicada e delicadamente para fazê-las crescer, florir e dar frutos.

Como conta no livro, cada dia é um milagre dando conta de tantas providências, tantos afazeres, tantas despesas, tantas histórias. Diria que é um milagre movido pelo amor, essa energia cuja vitória lembramos no dia de hoje. Um amor tão incondicional que tudo vence, até a morte. Um amor que nos permite renascer.

Renato e Marisa, meus queridos semeadores de luz. Minha Gratidão.

Deixo um vídeo com entrevista deles em um Programa de TV.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Semeando IV: Bunker Roy e a Universidade dos Pés Descalços


Seguindo esse caminho de semear me chegou Bunker Roy com a Universidade dos Pés Descalços, na Índia. Como poderão ver, apesar das diferenças, a essência dessa história é muito semelhante com a do Homem que Plantava Árvores. Só que as sementes de Roy estão a florescer pessoas e literalmente está levando luz mundo a fora.

Devo confessar que quando li pela primeira vez esse nome, Bunker Roy, lembrei dos mocinhos dos primeiros filmes de Faroeste. Aqueles que disparavam 100 tiros antes de recarregar sua arma de apenas seis balas, conseguiam mirar perfeitamente cavalgando a mais 60Km por hora e apesar de toda poeira que levantavam, suas jaquetas permaneciam impecavelmente limpas.

Diria que Bunker Roy, além de estar longe dos Estados Unidos também está do estereótipo desses mocinhos inventados pelo cinema, porém, as suas façanhas ultrapassam em muito as desses pretensos heróis americanos.

Com pouca munição conseguiu eliminar preconceitos, mudar paradigmas e construir na Índia a Universidade dos Pés Descalços. Seguiu mirando enquanto voava nas asas de seu sonho e ultrapassou as fronteiras do seu país iluminando muitas aldeias africanas. Ao que tudo indica, apesar de toda poeira levantada pelas lutas que enfrenta com as estruturas arcaícas da política, educação e econômia de nossa sociedade, ele continua impecavelmente limpo.

Dentre as muitas lições que nos dá, preciso destacar aqui a valorização do papel das AVÓS nas comunidades mais pobres. Sim, as mulheres com filhos criados já seguindo seus rumos, são protagonistas desse trabalho. Quem sabe se finalmente nesta nova volta que o mundo dá, essas mulheres retomarão o seu merecido lugar de La que sabe? Espero falar sobre elas em uma outra postagem, incluindo a minha experiência nos últimos dois anos em uma secretaria de escola pública.

Vou deixar que o vídeo, com a palestra de Bunker Roy, nos conte como começou uma escola que ensina camponeses e camponesas a serem engenheiros solares, médicos, dentistas, artesãos e agentes transformadores de suas vidas, consequentemente de suas aldeias e de nosso mundo.

Como ele diz :"Não é necessário buscar soluções no Exterior. Procurem soluções no interior. E escutem as pessoas que têm as soluções diante de você. Elas estão em todo mundo. Nem sequer se preocupem. Não ouçam o Banco Mundial, ouçam as pessoas no teu terremo. Elas têm toda a solução do mundo".


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Semeando III: Florindo as cinzas


Acabou o carnaval...Viva! Agora o mundo volta a girar nesse nosso país da fantasia.

Assim, como essa minha quarta-feira não é de cinzas vou falar de flores, perfumes e cores.

http://www.brezzadilago.org/

"Sim, é como a Flor
de Água, ar, luz e calor
O amor precisa para viver
De emoção e de alegria
E tem que regar todo dia". 

A Cor do Som - Sementes do Amor 




Foi a Meg, uma amiga que enviou esse vídeo dizendo que era para ajudar a colorir o Conversas da Vida. Sabe, esse foi um daqueles toques que falei no “Não espere resultados, siga semeando”. Deixei quietinho e a  hora de inserir chegou. Caiu perfeitamente aqui nesse Florir.

Grata, Meg!!! você não tem ideia como me fez bem naquele dia abrir o teu e-mail e assistir a esse belo e alegre vídeo da Cor do Som.

Mas, já que falo em flores tenho que dizer que adoro jasmim!!! Desses que se espalham pelo chão forrando as calçadas e deixando um leve perfume no ar. Afinal, morando em cidades coberta por asfalto e casas cercada de muros, são poucas as opções de flores pelo caminho.

  Tive a sorte de ter jasmineiro por perto em quase todos os lugares onde morei, só nunca tive um em casa. Era minha colheita quando voltava depois da faculdade ou das incansáveis discussões políticas, sociológicas, culturais e aleatória no bar do Bira, ou no Pop, ou no Surf... e tantos outros do Gonzaga ou Boqueirão em volta das faculdades.

Quando inspirada e feliz costumava colocar ao menos uma flor dessa minha colheita nas janelas do térreo do prédio onde morava. Um dia descobriram o mistério dos jasmins na janela, mas acho que a maioria já suspeitava... Vivia colocando eles no cabelo. rs.

Até em São Paulo, na minha primeira experiência de moradia naquela cidade, lá pelos meus vinte anos, na rua tinha também alguns frondosos jasmineiros. Só que era um prédio muito grande e sem apartamentos no térreo onde morava. O jeito foi enfeitar o metrô ali pertinho. Naquele enorme corredor da estação Paraíso era fácil colocar jasmins entre as placas coloridas da parede.

Um ato solitário e despercebido. Nem sei se alguém notava, mas era interessante ver as florzinhas brancas e delicadas brotando daquela arquitetura plastificada.

Na verdade adoro flores de todos os tipos e cores, mas as brancas de certa forma me parecem mais gentis... Margaridas, dálias, copo de leite, lírios aparecem em lugares onde nenhuma outra se atreve estar.

Por isso, não foi a toa que me identifiquei com as histórias da Senhora do ônibus e o solitário Sr. Bouffier. Seria bom florir a vida ao nosso redor, nem que seja em um pedacinho de nosso quintal ou em um cantinho de um coração que encontramos pelo caminho.

 Têm tantas formas simples para fazê-lo. Mas, para muitos o que falo aqui é pura babaquice.. baaaa... Adoro essa florida babaquice de quem ama a Vida inteira, não apenas a própria e não tem vergonha de ser o que é.

"Quero enfeitar com flor
meus cachos despenteados.
Se possível flores que se entregam a mim
feito os brancos jasmins.

Flores que me enfeitem
Lembrando terra faceira,
Linda feiticeira
Alquimista da vida."
 (escrita em algum desses dias de minha vida)




terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Semeando II : O homem que plantava árvores


A Vida é prática. 
 
Essa é uma lição que recebemos das crianças e de pessoas ... Digamos, descomplicadas.

A simplicidade da Senhora que jogava sementes pela janela do ônibus, que inseri em "Não espere resultados, siga semeando", também é encontrada no personagem Elzéard Bouffier, de "O Homem que Plantava Árvores", conto de Jean Giono, escrito em 1980.

Não consegui descobrir se Elzéard Bouffier existiu, mas seria possível que sim, seja na França, cenário onde desenrola a historia, no sertão nordestino ou em qualquer outro canto do planeta onde a vida precisa brotar.

Durante mais de 30 anos, Elzèard Bouffier, viveu para semear uma área dos Alpes franceses. Terra que encontrou árida e aparentemente sem vida.

Todo dia selecionava sementes que delicadamente plantava enquanto caminhava com suas ovelhas. No silêncio seu trabalho era feito pelo simples motivo de ser necessário. Nada mais.

O filme de animação feito com base nesse conto é belíssimo, tanto pela história, quanto pelos traços dos desenhos e narração. Obra rara e pouco divulgada em um mundo que precisa tanto relembrar a beleza humana que está muito além das formas, nas atitudes que transformam e florescem os espaços áridos. 

Como diz o início do texto:

"Para que o caráter de um ser humano revele qualidades verdadeiramente excepcionais, é preciso ter  a chance de refletir sobre suas ações durante longos anos. Se essa ação for desprovida de todo  o egoísmo, se  a razão que a dirige for de uma generosidade sem limites, se  estiver absolutamente certo de que não está à procura de recompensas de forma alguma e, acima de tudo, tem deixado marcas visíveis em todo o mundo, então sem sombra de dúvida se está diante de um caráter  inesquecível".

 e ao final:

 "Quando eu penso que um único homem, confiando apenas em seus próprios recursos físicos e morais, foi capaz de transformar um deserto nesta terra de Canaã, eu estou convencido que a despeito de tudo, a condição humana é verdadeiramente admirável. Mas quando eu levo em conta a constância, a grandeza da alma, e a dedicação desprendida necessária para trazer esta transformação, eu sou tomado de um imenso respeito por este camponês velho e inculto que soube como realizar esta obra digna de Deus.

Essas sementes de Bouffier devolveram vida a um pedaço dos Alpes, existem outras que devolvem vida à pessoas, animais, famílias e sociedades.

Aqui deixo o filme de animação que em 1988 ganhou o Oscar dessa categoria.


 Essa foi a melhor versão que encontrei.


Aqui deixo um trecho do belo conto de Jean Giono
"......

A companhia deste homem trouxe-me uma sensação de paz. Eu perguntei-lhe na manhã seguinte se eu podia ficar e descansar o dia inteiro com ele. Ele achou aquilo perfeitamente natural. Ou, mais exatamente, ele me deu a impressão de que nada podia perturbá-lo. Este descanso não era absolutamente necessário para mim, mas eu fiquei intrigado e queria saber mais a respeito daquele homem. Ele tirou as ovelhas do aprisco e levou-as ao pasto. Antes de partir ele molhou num balde d'água o saquinho que continha os frutos de carvalho que ele tão cuidadosamente havia escolhido e contado. Eu notei que ele carregava como uma espécie de cajado uma barra de ferro de um metro e meio de comprimento e a espessura de seu polegar.

Eu andei como se estivesse passeando, seguindo uma rota paralela a sua. Suas ovelhas pastavam no fundo de um vale. Ele deixou seu rebanho aos cuidados de seu cachorro e subiu até o ponto onde eu estava. Eu fiquei temeroso de que ele viesse para me repreender por indiscrição, mas nao: era sua própria rota e ele me convidou para acompanhá-lo, se eu não tivesse nada melhor para fazer. Ele continuou subindo por duzentos metros.

Tendo chegado ao local destinado, ele começou a cavar a terra com o cajado de ferro, fazendo um buraco onde ele punha um fruto de carvalho, cobrindo o buraco depois. Ele estava plantando carvalhos. Eu lhe perguntei se aquela terra pertencia a ele. Ele disse que não. Ele sabia a quem aquelas terras pertenciam? Ele não sabia. Ele supunha que era terra comunal, ou talvez pertencesse a alguém que não se importava com ela. Ele mesmo não se importava em conhecer quem era o proprietário. Deste modo ele plantou seus cem frutos com todo o cuidado.

Depois do almoço ele começou a separar seus frutos de novo. Eu devo ter insistido o suficiente em minhas perguntas porque ele as respondeu. Há três anos ele plantava árvores deste modo solitário. Ele havia plantado cem mil. Destes cem mil, vinte mil nasceram. Ele contava em perder metade destas para os roedores ou para qualquer outra coisa imprevisível nos desígnios da Providência. Então sobrariam dez mil carvalhos que cresceriam onde antes não havia nada.

Neste momento eu comecei a imaginar qual seria sua idade. Claramente passara dos cinqüenta anos. Cinqüenta e cinco ele, ele me disse. Seu nome era Elzeard Bouffier. Ele tivera uma fazenda nas planícies onde vivera a maior parte de sua vida. Ele perdera seu único filho, e depois sua esposa. Ele retirou-se à solidão, onde ele se comprazia numa vida sossegada, com seu rebanho de ovelhas e seu cachorro. Ele concluíra que aquela terra estava morrendo por falta de árvores e acrescentou que, não tendo nada mais importante para fazer, ele decidira remediar aquela situação.

Levando como eu naquele tempo uma vida solitária a despeito da minha juventude, eu sabia como tratar pessoas solitárias com delicadeza. Ainda assim, eu cometi um erro. Era precisamente a minha juventude que me forçara a imaginar o futuro em meus próprios termos, incluindo uma certa busca por felicidade. Eu disse a ele que em trinta anos aqueles dez mil carvalhos seriam magníficos. Ele me respondeu muito simplesmente que, se Deus lhe desse vida, em trinta anos ele plantaria muito mais árvores do que aqueles dez mil carvalhos, de modo que eles pareceriam uma gota no oceano.

Ele também começara a estudar a propagação de faias e tinha perto de sua casa um viveiro cheio de mudas crescidas. Seus pequenos protegidos, que ele mantinha longe das ovelhas com uma cerca de arame, cresciam belas. Ele também considerara plantar bétulas nos fundos do vale onde, ele me disse, havia umidade a apenas alguns metros debaixo da superfície do solo.

........"

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Semeando I : Não espere resultados, siga semeando.




Em uma recente Conversas com a Vida recebi uma senhora bronca com todos os puxões de orelhas a que tinha direito porque não entendia as mensagens que ela enviava. Fazer o que? Ainda sou analfabeta nessa linguagem simbólica.

Mas, bem que ela poderia facilitar e fazer como o Sol em “A Extraordinária Aventura vivida por Vladimir Maiakóvski no Verão na Datcha”. Ele entrou sala adentro para um chá e conversou cara a cara com o poeta. Ao final chegaram ao mais belo dos acordos que conheço:


“Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol”.

Só que a vida deve ter agendada mais conversas que o Sol. Com tanta gente reclamando dela não deve ter tempo para chegar assim para um chá, tem que utilizar de outros artifícios para dar seus recados.

Dessa vez o meu recado foi:

“Não espere resultados, siga semeando”

Eita coisa difícillll.. Não foi a tôa que bati tanto a cabeça até entender mais essa. Condicionada que sou por um sistema que utiliza a fórmula metas e resultados para alcançar objetivos, como fazê-lo?  Pedi que ela explicasse melhor, enquanto isso continuei batendo a cabeça no muro das lamentações dos sofrimentos inúteis.

Foi ao terminar de escrever a minha última postagem, “Novamente 2012 e as histórias sem fim de Fim do Mundo” que a ficha caiu. Plin... 

Esclarecendo: quando escrevo não penso muito, apenas deixo fluir o que já está pronto em mim. Por isso ao chegar no ponto final e ler o texto pensei: “Preciso falar mais das possibilidades de um novo mundo e de tanta gente mudando paradigmas e seguindo seus caminhos sem pensar em resultados, apenas fazendo o que tem de ser feito".

Nesse instante entendi a mensagem que a vida tinha dado, estava me prendendo ao esperar o resultado de algumas situações que estou vivendo para poder viver outras. Ufa... Tão simples.

É que somos muito apegados a padrões, pessoas e situações mesmo que ruins, enquanto a Vida é pura correnteza de energia. Quando nos defrontamos com essa correnteza sabemos que em algum momento o mergulho será inevitável. Quando? Sei lá, cada um tem seu tempo e para essa correnteza o tempo não existe. Entrar nela é um processo natural que nos dará a consciência de onde já estávamos.

Pena que somos lerdinhoooos... Ao invés de mergulhar de uma vez ficamos primeiro admirando a correnteza, depois colocando os pezinhos nela, ao mergulhamos resistimos e entramos em conflito entre a força que nos envolve e o medo ancestral da entrega. Os mais raros, diria heroicos que se entregam de pronto a essa força, são levados para onde a vida necessita. Muitos misticos chamavam a isso de loucura Santa.

Mergulhar nessa correnteza é o grande exercício da fé e quem a tem não espera por resultados, segue semeando porque sabe que a vida se encarrega do resto.

Lembrei de duas histórias perfeitas para ilustrar essa ideia do semear. A que postarei aqui foi uma das primeiras mensagens que recebi por e-mail em power-point e tem a definição perfeita desse semear. É da senhora que espalhava sementes na estrada. Linda.... A outra deixarei sozinha em outra postagem com "O homem que plantava árvores".

.
 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Colhemos a violência que plantamos

Hoje de manhã quando vi pela TV o que estava acontecendo no Rio de Janeiro, Realengo... Franco atirador em uma Escola, crianças feridas e mortas... Lembrei de imediato do seguinte resultado:

59.109.265 votos rejeitando a proposta que proibia a comercialização das armas e munições (63,94%), e apenas 33.333.045 votaram pelo "sim" a proibição (36,06%).
 Ano 2005. Plebiscito Nascional.

Participei da campanha pelo SIM, foi a última campanha por qualquer coisa da qual fiz parte. Não digo que alguma morte por arma de fogo teria sido evitada caso o SIM tivesse ganho. Isso, não posso saber. O que sei é que naquela votação a sociedade disse SIM à violência, pois as armas de fogo são um de seus maiores símbolos. E como dizem os mais sábios: Quem semeia vento colhe tempestade...Só colhemos o que plantamos.

Mudar é difícil? Porém, esse amargo sabor da tragédia diária está cada dia mais difícil de engolir.

Então pergunto: O que plantaremos agora para colher amanhã? As mesmas sementes? Outras mais amargas?

Perdão. Perdão. Perdão, crianças!!! Pelo pouco ou nada que tenho feito para semear o amor que nosso mundo tanto precisa.

Sowing The Seeds Of Love - Tears for fears



Agni Ioga - Folha dos Jardins de Morya - 182
"O sábio não teme. O milagre vem inesperadamente. Tudo que é novo tem seu significado, e às vezes, um grão é mais importante do que uma montanha."


sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Lembrando A Mãe (Mira Alfassa) - Paz, paz sobre a terra


Um dia fui apresentada à Mãe, Mira Alfassa, através de suas obras e nunca mais a deixei.

Viveu por 95 anos, de 1878 à 1973. Deu continuidade ao trabalho de Sri Aurobindo, em Pondicherry, Índia.

Ela nunca acreditou no Deus convencional das religiões ; o Deus interno era o que ela procurava.


Em seus últimos anos , vivenciou e descreveu processos de transformação do corpo físico, descobrindo e experienciando a Consciência Celular e sua abertura e permeação pela consciência mais alta, assim desbravando um caminho para a supramentalização integral do ser .

Toda sua obra é atual, no livros preces e orações encontros trechos que parecem terem sido escrito para hoje.

Não diria que A Mãe estava além do seu tempo, ela vivia o tempo, nós é que ainda não escontramos essa sintonia com o eterno.

Como ela disse: 

"Eu não pertenço à nação alguma, à civilização alguma, à sociedade alguma, à raça alguma, mas ao Divino.

Eu não obedeço à Mestre algum, à soberano algum, à lei alguma, à convenção social alguma, mas ao Divino.

A Ele eu entreguei tudo, a vontade, a vida, o eu; para Ele estou pronta a dar todo o meu sangue, gota por gota, se essa for Sua vontade, com uma alegria total; e a Seu serviço nada poderia ser um sacrifício, pois tudo é perfeita felicidade".
 
Deixo uma de suas orações e o vídeo que fiz com ela.


Paz, paz sobre a terra...

Não a paz de um inconsciente ou de uma inércia auto-satisfeita; não a paz de uma ignorância que não se reconhece e de uma indiferença obscura e pesada; mas a paz da força todo poderosa, paz de uma comunhão perfeita, a paz do despertar integral, do desaparecimento de todo limite e de toda sombra...

Por que se atormentar e sofrer, por que esta luta áspera e esta revolta dolorosa, por que esta violência vã; por que este sono inconsciente e pesado? Despertem sem temor, apazigúem seus conflitos, imponham silêncio a suas disputas, abram seus olhos, seus corações; a Força está aí; ela está aí divinamente pura, luminosa, possante; ela está aí como um amor sem limite, como um poder soberano, como uma realidade sem discussão; como uma paz sem mistura, como uma beatitude sem interrupção, como a Bênção Suprema; ela é a própria existência, as felicidades sem limites do conhecimento infinito... e ela é alguma coisa a mais que ainda não pode ser dita mas que já está agindo nos mundos superiores além do pensamento, como o poder de transfiguração soberana, e também nas profundezas da matéria como a Irresistível Força de Cura.

Escuta, escuta, ó tu que queres saber.

Olha, tu que queres ver, contempla e vive:


A Força está aí.


(A Mãe, Preces e Meditações, p.236)