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domingo, 5 de junho de 2011

Mudando Paradigmas VI: Tire o possessivo "Nosso" do meio ambiente.

Faz tempo que vejo, escuto e leio muitas explicações sobre a necessidade de preservar o "nosso" meio ambiente, como se fossemos separados dele. Como se esse “nosso” Meio Ambiente, pertencesse ao ser humano. Algo que temos que preservar para podermos continuar utilizando.

Não acredito que estamos aqui para utilizarmos os recursos do meio do qual somos parte e sim, para nos relacionarmos com ele de forma harmônica. Nessa relação cada um tem o que precisa.

Mudar o paradigma aqui é tirar o “nosso”, pronome possessivo, dessa expressão e começarmos a pensar que não temos um meio ambiente, pois também somos ele. Tudo, inclusive nós, fazemos parte de um sistema equilibrado e que segue seu plano independente dos nossos quereres.

Talvez assim, comecemos aos poucos a mudar essa relação depredatória e caminhemos para um equilíbrio necessário com os elementos da vida que nos cerca. É impossível? Talvez. Mas a vida dá lições e a Terra não é um planeta morto. Ela ainda é uma adolescente em nosso sistema e evului, dentro de seu ritimo.

Como mudar? Não sei.

A vida é simples e nos dá o que precisamos na hora exata. Foi isso que aconteceu hoje. Escrevi essa parte acima, e fiquei pensando na melhor maneira de explicar o que penso, sem complicar com teorias e demais filosofias. Eis que no Talk do Painel Global, onde participo, a Mary deixou um texto que encaixou como uma luva.

Ele foi escrito pela professora Marineusa Gazzetta, da UNICAMP, que pediu licença para anotar as palavras ditas a ela pelo índio Kapjêre Jõpaipaire, da tribo parkatêjê, do Pará.

Veja o que diz nosso irmão da Floresta, sobre o meio ambiente no qual ele e todos nós vivemos.

'"No verão esquenta e a água sobe; o corpo está quente e a água sobe; de noite esfria e volta de novo a água no corpo da gente. O calor da água está em tudo: em nós, na madeira, nas plantas e sobe e vai juntando. Forma nuvem. E quando está no dia da chuva, cai pra nós bebermos, para os animais, para as plantas...

A madeira (o mato) é nosso pai, dá a produção pro filho comer e defende a gente. A terra diz: 'Eu sou a mãe de vocês; agora vocês têm que me gostar e me usar para viver.' A terra é nossa mãe - cria a gente. A terra quer que a gente produza para comer. A terra - não sabemos de demarcação - não tem limite, é aberta. Índio anda 60 quilômetros num dia. Mato diz pro filho: 'Olha, filho, eu vou me produzir pra você comer, mas você tem que me olhar e não deixar me prejudicar.'

O céu é nosso irmão mais velho. Ele manda na chuva e manda a chuva pra nós, pra beber, molhar as plantas, criar peixes, tomar banho, lavar...

A mata é um lençol para nós, por isso índio morava na mata. É saúde.

O sol é forte, traz doença e o vento carrega a doença pro mundo (não é só para o índio); a mata atrapalha o vento e não deixa passar a doença.

Agora não tem mais mata. Por isso está aparecendo muita doença."
 
Essa explicação foi dada por um irmão da Floresta, e eis o trecho de um filme onde é explicado a visão Sistêmica da vida, que  havia separado para inserir aqui nesse post. O Ponto de Mutação, baseado no livro do mesmo nome, de Fritjof Capra.
 
Depois me diga, se tudo não é mais simples do que pensamos? O difícil é mudar a forma como vemos e nos relacionamos com nosso mundo. Ou seja, mudar paradigmas.
 
 

11 comentários:

  1. Márcia19:49:00

    Oi Sandra. Mto bom o seu texto e o depoimento do indío é de um sábio povo da floresta que sabe conviver com harmonia no meio ambiente.

    Eu acabei postando o vídeo da música do Caetano lá no painel, só que era pra postar aqui., rs.
    Segue
    Indio

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  2. Obrigada, Márcia. E essa música é linda, muito inspirada, ainda vou inserí-la em algum post...rs. Queria ter mais tempo para me dedicar ao blog, só que ainda não dá.

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  3. Márcia20:34:00

    Tem vários documentários sobre o lixo no oceano...
    aqui segue um vídeo que foi exibido num programa de tv

    sopa plástica

    Li seu comentário lá no painel sobre a música que fala de paciência...é essa né?!

    Nada te turbe

    Sempre que fico tensa, eu ouço. Me acalma que só.
    Bj

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  4. Sim, é essa mesmo. Para mim também é um mantra. veja esse trabalho que fiz com ela http://www.youtube.com/watch?v=mRPlefXqmXU

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  5. Nunca havia tentado postar link no comentário.rs Não saiu.rs Mas o endereço está ai.

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  6. Anônimo10:43:00

    Oi Sandra, adorei e concordo contigo plenamente...
    Te acompanho no Painel Global.Quem dera todos tivessem o teu conhecimento e a tua vontade de mudar...Muito sucesso na tua caminhada... Abração,
    Janice

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  7. Márcia16:54:00

    Sandra, tentei colocar aqui a maneira que faz pra linkar direto, mas não deu certo, então vou colocar um blog que ensina, caso queira...

    Como linkar

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  8. Janice,
    Poxa... nem sei o que dizer. Acho que obrigada. A gente se surpreende, porque ali no Painel acaba sendo como um comodo de nossa casa e até nos esquecemos que tem uma janela aberta para o mundo. Espero que estejamos ajudando as pessoas nessas nossas conversas, onde aprendemos e compartilhamos. Muita gratidão, mesmo, por falar isso, pois vejo que está sendo útil, passar esse meu pouco tempo por ali. Continue visitando meu blog e o painel... Participando também...rs. Um abraço fraterno e muita luz no teu caminho.

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  9. Márcia,
    Até havia esquecido que tinha feito um post aqui onde inclui essa música, foi Fé-Nada Te Turbe.

    Uauu... legal, aprendi. Grata pelo link, irmãzinha.

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  10. Anônimo11:25:00

    Oi Sandra, postei umas informações para ti e não sei onde foi parar... me diz se recebeu. Agora sou tua seguidora... pode me dizer pelo gmail.
    Abração, Janice

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  11. Janice,
    Não recebi nada e só agora vi que está me seguindo é que está como anônimo. Tentei enviar uma mensagem dirigida a você e não consegui, vou deixar aqui meu e-mail sanper_1002@yahoo.com.br.
    grata por me seguir. pareço criança quando vejo alguém novo no painel de seguidores.
    rs.. abr

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