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domingo, 29 de março de 2015

O dia em que o Falcão Peregrino pediu abrigo em minha casa


Foi em um domingo que o Falcão Peregrino  pediu abrigo em minha casa, mas não qualquer
domingo. O céu estava cinza, fechado com cara de bravo.  Domingo triste e assombrado por dores, raivas e incertezas.

Naquele domingo até o futebol  mudou de horário, o almoço não... Aqui em casa apesar da tristeza no céu e no ar, a mesma rotina,  com todas as movimentações  típicas desse dia. O que acontecia no mundo, lá fora, não queria saber!  Ali estava minha mãe na cozinha, as crianças inventando brincadeiras, as cachorras já de banho tomado, eu na faxina da casa, minha irmã na casa dela com meu cunhado planejando a semana.  Mas, diferente dos outros domingos, a TV de minha sala permanecia desligada.

Na rua tudo igual. O culto na igreja ao lado havia terminado e na calçada estavam as senhoras e senhores com suas roupas de domingo, a bíblia na mão, palavras do pastor na boca e os olhos a controlar a movimentação das crianças na rua.

A única atenção para o mundo além estava no telefone.  Aos céus pedia que a notícia não chegasse... Nunca.  Mas, pela conversa com a médica, ela chegaria a qualquer momento, não passaria do próximo domingo.

Depois do almoço, finalmente tomei coragem e fui ao quarto optar entre duas tarefas: enfrentar uma montanha de roupas que há duas semanas esperavam pelo ferro ou enfrentar aquela janela que me levaria para o mais cinza dos domingos? Minha razão pedia a roupa e meu coração mandava enfrentar a janela. Dei ouvidos ao coração e enfrentei a janela do mais virtual de todos os mundos.
Imagens pipocavam sobre o mesmo assunto, uma onda de amarelo biliar sobressaia  a acentuar a cor cinza daquele dia...  Eram imagens estranhas que me levaram a questionar se nada será como antes, amanhã...  Em minha mente aquelas imagens se misturaram com as de um passado ensanguentado,  bílis negra.  

Perdida nesse caleidoscópio de fatos e história, fui devolvida ao meu quintal pelas vozes agitadas das crianças: “tia, tia, um gavião... Corre!”. Automaticamente o celular veio a minha mão, já que a máquina fotográfica estava distante e poderia perder a chance de fotografar um gavião aqui por perto.

Quando cheguei ao portão lá estava ele, não no ar, mas enrolado em uma toalha nas mãos  de meu cunhado.  

Pássaro tão lindo! Como nunca tinha visto igual, assim, de perto. Olhar assustado, visivelmente machucado e rendido ao destino.  Olhei para aqueles olhos profundos  a dizer-lhe que iríamos ajudar... Como podíamos lhe acalmar? Naquela situação quem se acalmaria?  

“Estava ali, encostado no muro. Vi algo se mexendo e cheguei perto. Ele se assustou e eu também... Ai ficou me olhando com esse olhão e eu olhando ele, até que chamei o Lima pra pegou o passarinho”,  minha mãe contando como encontrou o Falcão Peregrino, que até aquele momento nos parecia ser um gavião. Afinal, não é todo dia que uma ave dessas aparece aqui em casa. 

Enquanto providenciavam um local para deixa-lo protegido,  fui  telefonar para os bombeiros,  que orientaram procurar a Polícia Ambiental. 

Liguei e percebi duvidas no ar. Mais tarde soube que não é comum as pessoas que encontram esses pássaros solicitarem auxilio, geralmente se calam e os mantêm  prisioneiros. A princípio pensaram ser brincadeira, só depois de minha insistência acreditaram. 

Enquanto o resgate não chegava, ficou em uma caixa de papelão coberta por uma toalha, bem quietinho.  Apesar da curiosidade, fizemos um trato de não incomodá-lo e deixar a área silenciosa para que pudesse descansar da fuga e recobrar energia. 

De minha janela, olhava a caixa de papelão e a movimentação ao redor dela; crianças aflitas para levantar a toalha e dar uma espiadinha, água, comida, bolacha, cenoura, tomate, chocolate ... Da janela virtual, nem mais via a onda amarela biliar que crescia em número e ódio, sem proposta, sem ternura, sem afeto por aquilo que diziam defender.  Como a querer cortar as asas de um País que dava seus primeiros voos em liberdade. Daquela janela só buscava identificar quem era o visitante e  nos comentários da sua  foto, que publiquei  no facebook, descobri tratar-se de um Falcão e não Gavião. Será? Com essa possibilidade rastreei e encontrei  imagens muito semelhantes a dele... Sem dúvida era um Falcão Peregrino!!! O  mais veloz de todos os pássaros conhecido, ali, em uma caixa de papelão coberta por uma toalha.

Nada mais triste do que a falta de liberdade e aquela caixa lembrava que muitas prisões não são feitas de grades.  Um Falcão Peregrino, com voo  impedido; um povo oprimido pela injustiça e miséria, cuja plenitude da vida é impedida; uma pessoa presa a uma cama, cujo corpo não mais quer responder a vida, são alguns dos exemplos. 

O telefone tocou e o coração gelou. Do quintal mais dois olhares aflitos em minha direção... Não. Não era a ligação ruim e sim a boa. A Polícia Ambiental  informando que ia demorar  um pouco, pois estavam atendendo outras ocorrências.   

Assim, apesar do trato, não resistimos  e revezamos a visita ao nosso hospede.  Levantar  a ponta da toalha  era como abrir a janela para o mais real dos mundos. Através daqueles olhos solares me acalentei.  Não havia a agitação inicial, parecia mais tranquilo ou resignado, não sei. Apenas me olhava fixamente, sem medo  e desejei o mais lindo dos voos para aquele ser e para o Jr,  o mesmo voo de liberdade que sempre desejei para meu povo.  

Eram 23h39 quando chegaram para resgatar nosso Falcão Peregrino, agora chamado de Falquito. Ainda na caixa os primeiros olhares de quem conhecia o assunto, nos deu o alívio em saber que conseguiu fugir antes da asa ser mutilada. Seria levado ou para o Orquidário ou Parque Anilinas em Cubatão e quem sabe em breve ganharia a liberdade do voo.

Já apegados ao Falquito o vimos sair pelo portão, havia tristeza pela despedida e alegria pela certeza do dever cumprido. Rápida passagem, algumas horas e muitas lições.

Hoje, 29 de março de 2015, quinze dias após aquele domingo, o céu continua cinza e chora. Na
quarta-feira daquela semana, soube que o Falcão estava livre, voando pelos lados da Rio-Santos e pouco antes da meia-noite, meu cunhado, irmão de coração, o Jr, aos 49 anos  se liberou de um corpo cujo fígado adoeceu. Uma hepatite C, levou a um câncer,  deixando sua passagem entre nós bem mais breve do que poderia ter sido. Porém, extremamente amorosa e cheia de dignidade. Vai ver, ele pegou carona nas asas do Falcão e foi tocar o seu baixo em uma festa que o esperava lá no céu.

Daquele domingo, ainda resta a bílis amarela a permear profundamente os sentimentos de uma camada de nosso povo. Que ele se cure!!!   


domingo, 8 de março de 2015

Às guerreiras do Curdistão e do mundo, que correm com os lobos e a liberdade.



Há muito questiono o que é essa busca da liberdade da Mulher dentro de nossa Sociedade Patriarcal.
Foto da página Kurdish Female Fighters Y.P.J

Percebia uma confusão entre o que era a busca de igualdade e de liberdade. As perguntas eram: quero preservar esse modelo social que nada tem a ver com meu pensamento do que seja uma sociedade igualitária? O que eu quero é me libertar enquanto mulher e poder expressar nesse mundo toda a energia pertencente ao ser feminino ou ser igual? Até quando essa igualdade de Direitos não se confunde com a igualdade de gênero? 

Eu não quero ser igual aos homens, quero que nos completemos, fato só é possível em um mundo onde a Mulher for livre de fato. Enquanto não houver essa real liberdade,  haverá um desequilíbrio.

O que vejo é uma mulher cada vez mais presa aos conceitos desse mundo Patriarcal,  que novamente a usa como forma de preservação e domínio. De uma forma mais sutil, a faz compactuar e reproduzir em si esses princípios separatistas e destruidor, muito longe dos construtivos e gregários, próprios do Ser Feminino.

Ou seja, a Mulher nos últimos anos não estava se libertando, mas sendo utilizada para preservar a estrutura que a dominou durante séculos. Ela passou a ser necessária para a demanda de produção da sociedade industrial do século XIX, e no  XX  foi acrescentada na demanda de consumo. Apenas mudou sua tarefa, mas não sua prisão e utilização, tanto que nessa sociedade encontramos os mesmos comportamentos e visão masculina em relação à mulher de séculos atrás.

Algumas leituras fizeram com que aprofundasse esse pensamento, isso lá pelos anos 80 e 90. Uma delas, Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkila Estes, onde encontrei todo o grito preso de minha ancestralidade e dei um rumo a esses questionamentos.

“ A fauna silvestre e a Mulher Selvagem são espécies em risco de extinção.

Observamos, ao longo dos séculos, a pilhagem, a redução do espaço e o esmagamento da natureza instintiva feminina. Durante longos períodos, ela foi mal gerida, à semelhança da fauna silvestre e das florestas virgens. Há alguns milênios, sempre que lhe viramos as costas, ela é relegada às regiões mais pobres da psique. As terras espirituais da Mulher Selvagem, durante o curso da história, foram saqueadas ou queimadas, com seus refúgios destruídos e seus ciclos naturais transformados à força em ritmos artificiais para agradar os outros.

Não é por acaso que as regiões agrestes e ainda intocadas do nosso planeta desaparecem à medida que fenece a compreensão da nossa própria natureza selvagem mais íntima. Não é tão difícil compreender por que as velhas florestas e as mulheres velhas não são consideradas reservas de grande importância. Não há tanto mistério nisso. Não é coincidência que os lobos e coiotes, os ursos e as mulheres rebeldes tenham reputações semelhantes. Todos eles compartilham arquétipos instintivos que se relacionam entre si e, por isso, têm a reputação equivocada de serem cruéis, inatamente perigosos, além de vorazes... ”.

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As leis mudaram, as funções mudaram, mas a relação continua igual e para piorar, a meu ver, grande parcela das mulheres assimilou tanto esse jeito de ser masculino, que enterrou de vez seu ser mais profundo. Isso auxilia a promover toda espécie de desequilíbrio não apenas psíquico quanto social.

Por esse motivo acompanho com grande entusiasmo os acontecimentos no Curdistão, como uma luz ao final do túnel, onde conscientemente as ações revolucionárias estão gerando outros padrões de relação entre os gêneros. Uma revolução dentro da revolução.

Foi após a tomada de Kobane pelo YPJ (Unidades de Defesa das Mulheres), invadida pelo ISIS (Estado Islâmico), que nós do Ocidente passamos a ter mais informações sobre o que vem acontecendo naquele canto do mundo.

Não pretendo me estender agora sobre os detalhes, visto a complexidade do assunto.

Neste Dia Internacional da Mulher, pretendo apenas deixar esse questionamento  e  prestar minha homenagem a essas Mulheres Guerreiras em sua essência!!! Mulheres que lutam para transformar seu mundo em todos os seus espaços e não compactuam com essa futilidade que nos transformam em objetos de uso e consumo. Àquelas Mulheres que  procuram ir além da igualdade de direito, procuram a sua liberdade para construir na Terra uma sociedade onde a justiça, a irmandade, a relação com a vida não se baseie na destruição e exploração, mas na solidariedade e união com todos os elementos que nos rodeiam.

Como diz em seu livro, “Liberando la vida: la revolución de las mujeres”,  Addullan Ocalan, militante curdo e preso político,

A liberdade da mulher desempenhará um papel estabilizador e igualador na formação da nova civilização e ocupará seu lugar em condições de respeito e igualdade. Para conseguir isso, temos que trabalhar no nível teórico, programático, de organização e implementação. A realidade da mulher é um fenômeno ainda mais concreto e analisável do que conceitos como “proletariado” e “nações oprimidas”. O grau de transformação possível da sociedade está determinado pelo grau de transformações que consigam as mulheres. Da mesma forma, o nível de liberdade e igualdade da mulher determina a liberdade e igualdade de todos os setores da sociedade. Por isso, o nível de democracia que alcance as mulheres é decisivo para o estabelecimento permanente da democratização e secularização. Para uma nação democrática, a liberdade da mulher tem uma grande importância, já que uma mulher livre constitui uma sociedade livre. A sociedade livre constitui por sua vez uma nação democrática. Por outra parte, a necessidade de mudar o papel do homem é de uma importância revolucionária.
O amanhecer de uma era de civilização democrática representa não somente o renascimento de todos os povos, se não também, de forma mais específica o auge da liberdade das mulheres. A mulher, que foi a deusa criativa da sociedade neolítica, sofreu perdas incessantes no decorrer das sociedades de classes. Inverter esta história acarretará inevitavelmente transformações sociais mais profundas. A mulher, renascida para a liberdade, se somará a liberdade e justiça no âmbito geral da sociedade, em todas as instituições, em todos seus níveis. Convencerá a todos que a paz, e não a guerra é mais valiosa e desejável. O triunfo da mulher é o triunfo da sociedade e do indivíduo em todos os níveis. O século XXI deve ser a era do despertar..."

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quinta-feira, 5 de março de 2015

Bellas, ciao...



Após ouvir Bella ciao nas comemorações da eleição de Syriza, na Grécia, aquela batida forte ficou
cravada em minha mente por dias... Era Bella Ciao, Bella Ciao, Bella Ciao... Forte!!! Bella Ciao... Como se cada um que a cantou desde que  surgiu nos campos de arroz da Itália do século XIX, estivesse a me cumprimentar ... Bella, ciao... Olá, bela ou seria, Adeus, Bela? Estou aqui ou estive aqui? Adeus.

Bella ciao, ... Bella Ciao ... Bella Ciao... Ciao ciao... Afinal, quem era a bela?  

Seriam as donas das vozes femininas que no sofrimento a criava?  Camponesas que na marcação  do canto buscavam forças para superar o cansaço, as dores, a fome, a sede, a humilhação e os maus tratos dos seus algozes capatazes? Ou a Bella que as cumprimentavam era a Liberdade que tanto desejavam? Passando por sua realidade e se instalando em seus sonhos, a lhes dar ciao?

Bella ciao... Sim,!!! Sim, eram belas, mesmo em meio ao massacre diário de um novo sistema que as escravizavam, eram lindas resistentes!!! 

Sei que aquelas vozes que criaram essa música, eram mulheres contratadas para um trabalho, assim, teoricamente teriam opção do sim ou não. Teoricamente poderiam não aceitar estar ali... Mas, aquela colheita era a única opção entre a morte pela miséria e a vida miserável. Mesmo estando cercadas de terras, as terras não mais pertenciam aos filhos do campo, poucos comeriam o arroz que ali colhiam. Pela meritocracia era o que mereciam naquela Itália dividida, em meio às revoltas, doenças e extrema pobreza.

Em toda a Europa,  camponeses vagavam sem rumo há séculos, forçados a se adaptarem a exploração de trabalho nas fábricas das regiões industrializadas, cujas condições não eram diferentes das do campo, onde aquelas belas viviam sonhando com a liberdade em terras que seriam suas.

Seria então, Bella Ciao, a terra que seus sonhos alimentavam? Sei que muitas que ali a entoavam não sobreviviam para mais colheitas. Outras conquistaram essas terras além-mar, em um processo migratório como nunca visto antes naquelas terras.

E Bella ciao sobreviveu através dos tempos como música símbolo de resistência a opressão, saiu dos campos e ganhou novas vozes e bandeiras.

Durante a Primeira Guerra Mundial foi cantada nos protestos contra o conflito e mais tarde com outra letra foi o hino contra o fascismo e a invasão alemã. Continuou sua marcha até nossos dias marcando presença onde se manifesta forte o sentimento que impulsiona as lutas contra a injustiça e opressão.

Bella foi a força dessas mulheres que no final do Século XIX, tanto nos campos como nas fábricas, iniciaram a luta por seus direitos, melhores condições de trabalho e pela dignidade da vida.

Bellas, Ciao!!!

Primeira versão conhecida de Bella, Ciao.


“E entre insetos e mosquitos, o bela, ciao, um duro trabalho devo fazer.
O capataz em pé com seu bastão, o bela, ciao,e nós, encurvadas, a trabalhar!
Trabalho infame, por pouco dinheiro, o bela, ciao!
e a consumir a tua vida !
Mas virá o dia em que todas nós, o bela, ciao, trabalharemos em liberdade.”


Programa "Nos Cantos da História" 2 - Bella Ciao  

Laboratório de Imagem e Som Universidade do Estado de Santa Catarina 



Bella, ciao em nove línguas. 



Letra mais conhecida.

domingo, 1 de março de 2015

Hipátia, uma mulher a ser lembrada nesses dias.


Hoje, tenho mais um motivo para ver 08 de Março como o Dia Internacional da Mulher,  foi o mesmo dia do assassinato da filosofa Hipátia de Alexandria... Dia em que foi arrastada pela rua por uma massa de cristãos manipulados e enfurecidos, levada a uma igreja, onde teve seu corpo dilacerado e lançado a uma fogueira.

O ano era 415 DC.

O motivo: ser Mulher, ser filosofa, matemática, astrônoma, médica, poetiza, mestre em oratória e retórica. Ter desenvolvido alguns instrumentos para estudo de física e astronomia, entre eles o hidrômetro. Ter conquistado aos 30 anos a Direção da Academia de Alexandria e se negar ao casamento, pois segundo ela havia se casada com a Verdade... A sua grande busca.


Hipátia chegou a desenvolver vários estudos no campo da álgebra e astronomia e procurou provas para demonstrar que a Terra  girava em torno do sol... Sua história mostra os bastidores que levaram o final da Idade antiga e o início da Medieval.



Conheci Hipátia há pouco tempo, exatamente em junho de 2013. Uma amiga indicou o filme Ágora, onde a vida da filosofa e a destruição da Biblioteca de Alexandria se confundem, nos dão uma panorâmica das mudanças de paradigma existentes na época. Era o início do obscurantismo que dominou a Idade Média, onde interesses de domínio usavam o cristianismo encarcerado em uma instituição religiosa, para controlar multidões e destruir tudo o que pudesse questionar a nova ordem que estava sendo imposta.

Foi um filme que vi em doses homeopáticas... Precisei parar algumas vezes para digerir tudo o que via e ouvia. Em alguns momentos eram os mesmos discursos de ódio, ignorância e intolerância que estava lendo nas redes sociais. As mesmas práticas e manipulações. Os tempos eram outros? Parecia que apenas os personagens e cenários não era o mesmo. A essência ali estava como também o motivo: poder.

Ao final do filme Hipátia foi direto para a minha galeria de heroínas e ao procurar mais informações consta que ela morreu exatamente em 08 de março, uma data que não lembra flores perfumadas e sim muita luta.



Durante a semana falarei mais sobre essa luta que ultrapassa fronteira de tempo e espaço. Uma luta do feminino pelo seu direito de Ser Humano e não objeto de domínio e exploração.

Por isso no dia Internacional da Mulher não são flores que pedimos e sim Respeito.  

Deixo link do Blog Filosofia na Escola onde poderão assistir ao filme completo 

Clique na imagem abaixo


Poeminhas pela necessidade do Ser





 Poeminhas pela necessidade do Ser


I


A imagem colorida

Desenhada em minha mente,

Mostrava dolorida

A casquinha da semente. 


O que ali fecundava

Nunca poderia ver

Por tarefa abrigava

Quem a iria romper.




domingo, 22 de fevereiro de 2015

Lila... Lilas... Lilás...

Nada de construtivo nasce do ódio, do medo e da raiva...  Uma sociedade que apresenta todos esses sintomas é uma sociedade doente;  UTI a espera.

No presente vejo o resultado de uma
sociedade que cresceu na desarmonia, semeada na divisão, exclusão social e preconceito.

Uma sociedade cercada pelo medo da violência que a ronda como fantasma a trazer a insegurança ... Violência colhida como fruto do que foi semeado. Os mesmos que tanto a temem e cobram o seu fim, são os que a regam e dão guarita, dentro de si.

Não consigo pensar nisso, sem lembrar que no ano passado uma mulher foi linchada devido mentiras virtuais, espalhadas para alimentar esse medo. Foi arrastada e sem defesa arrebentada em plena rua. Não foram alguns homens impiedosos que a mataram, esses foram fantoches dessa sociedade covarde e hipócrita, sua assassina.

Todo dia pessoas são massacradas, levadas ao tribunal das calúnias e pisoteadas por um bando de “bons cidadãos” tementes a Deus, cheios de uma moral cheirando a mofo e carregados de um ódio que beira a insanidade. São jogos de interesse onde a justiça é o que menos conta. 

Falam de corrupção e justiça, sem perceberem as sujeiras de suas  mãos. Outros, já cegos pelo medo, são guiados como uma manada... Nada conhecem daquilo que falam. Reclamam sem saber a fundamentação do que dizem. Falam de justiça enquanto enterram qualquer possibilidade de que ela, a justiça, sobreviva.

Minha única certeza é que em terra onde prevalece o "dente por dente e olho por olho", ao final sobram apenas cegos banguelas. 

Contra tudo isso, nem sei se adiantam palavras... Talvez, só  a oração, um exercício de imaginação criativa... Um esforço sobre-humano para projetar o oposto dessas atitudes tão degenerativas... Estimulando a delicadeza, o encantamento do belo, do suave, da alegria, da esperança... Uma energia que renove as células tão ácidas e deformadas... Tão doentes... Talvez... Talvez...Um contágio massivo de Lila...Muitas Lilas... Lilás...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

No Brasil as grandes empresas de comunicação estão se enforcando com a própria corda.

Tenho ouvido falar na crise das grandes empresas de comunicação do Brasil e apesar das especulações e outros interesses que possam estar relacionadas com esse falatório, não me espanta por ser esse fato previsível e esperado.

Em 1993, li o "Decálogo do jornalismo do amanhã", escrito por um acadêmico espanhol, Juan Antonio Giner, na época presidente da Inovación Periodistica, Consultores na Espanha. Esse pequeno texto de uma lauda, mudou minhas expectativas sobre os meios de comunicação social e sobre o jornalismo do futuro.

O decálogo traçava um caminho a ser seguido pelas empresas de comunicação, caso quisessem sobreviver às vertiginosas mudanças tecnológicas que estavam por vir, visto que nada se daria na velocidade a qual estavam acostumadas. Segundo Giner, os diretores teriam que “reinventar o futuro” a cada dia.

Esse alerta para as empresas se adaptarem aos novos tempos foi dado como  uma necessidade imediata, isso há 22 anos, visto que esses  novos meios de comunicação que chegavam com a revolução digital, transformaria a nossa sociedade, assim como fez a máquina Gutemberg em 1445.

Na época em que esse texto apareceu em minhas mãos, estava no 1º ano de jornalismo e seu impacto foi tão forte que durante a minha formação busquei entender esse processo de transformação do qual eu fazia parte. Foi assim, que me dediquei  a um projeto chamado Online UNISANTA, considerado o primeiro jornal do gênero a ser produzido em uma universidade brasileira. Esse projeto na época era extracurricular, elaborado nas tardes de sábado por alunos voluntários e apesar de ser um jornal virtual, tinha como coordenador um Professor de Antropologia, o Darrell Champlin.

Nossa proposta não era adaptar o Online para ser um espelho digital de um jornal impresso, mas trabalhar as possibilidades desse novo meio e encontrar a sua linguagem. Tudo era uma incrível novidade, uma folha em branco onde as possibilidades eram infinitas, inclusive a interação com o leitor, com as fontes e com aquilo que se chamava hiperlink. Meu TCC também foi baseado nessa nova linguagem e nas perspectivas desse jornalismo.

Porém, sem prolongar a história, com o destino que o Jornal Online tomou em 1997, percebi o quanto esse novo meio e o alerta de Giner, não estava sendo entendido e nem levado a sério tanto pelo meio acadêmico quanto pelas empresas informativas, já que um deveria alimentar o outro.

Quando o meio acadêmico aprisiona um laboratório de ideias dentro de uma grade curricular, onde se obriga a participação e pior, se dá nota para algo que não tem como medir, está sendo dada a pena de morte a criatividade e ao projeto. O que demonstrou a falta de entendimento das inovações que estavam a sua frente. Foi com muita tristeza que vi isso acontecer e sabia que o Online UNISANTA estava com os dias contados, seria apenas uma questão de tempo. Ao tirarem sua alma, enterrar seu corpo seria apenas um detalhe.

Assim também vejo acontecer com as grandes empresas jornalísticas. Elas estão com os dias contados por sua própria incompetência em adaptar-se ao novo.

No Décimo decálogo, Giner diz que:

“Só terão futuro aquelas empresas que aplicam em investigação e desenvolvimento, ‘Não serão os grandes que comerão os pequenos, serão os rápidos que comerão os lentos’. Em tempos de crise, ‘deve-se pensar internacionalmente, pensar futuristamente, pensar antes que os outros”.

Essas empresas cresceram servindo a  um aglomerado de interesse que extrapolavam a sua missão Informativa. O poder econômico e político ao qual estão alicerçadas a tornaram pesadas em demasia para a agilidade necessária aos novos tempos. 

Não conseguem se reinventar e por isso mesmo irão morrer. A alternativa é continuarem sendo sustentadas pelo Poder Público, por isso o seu desespero atual. Se mesmo assim continuarem enquanto corporações, serão Assessorias de Imprensa disfarçadas. O que seria da mesma forma a sua morte.

Por isso, se uma delas falir, não jogue mais esta culpa na Dilma. Elas estão apenas se enforcando com a própria corda.

Deixo abaixo o “Decálogo do Jornalismo de Amanhã”, apesar de antigo é muito atual. Cada item pode render uma tese, pois nesses últimos 22 anos a mudança foi gritante e cada um desses itens estão em pleno andamento, confirmando o acerto de sua análise. As mudanças continuam e como advertia Giner,  de forma vertiginosa.





O DECÁLOGO DO JORNALISMO DE AMANHÃ
Por Juan Antonio Giner
Ano de 1993

As empresas informativas devem se acostumar a conviver sob a “vertigem das mudanças tecnológicas” e seus diretores têm de “reinventar o futuro” a cada dia. Estas dez megatendências da Inovación Periodistica supõe um novo mapa para os negócios da informação, no qual:

  1. Os jornais se converterão em “revistas diárias de notícias”, e os semanários só sobreviverão caso se transformem em revistas de “jornalismo de antecipação”.
  2. Os jornais, as revistas e a televisão deixarão de financiar-se pela via publicitária. O público pagará pela informação de qualidade ao preço do custo real.
  3. As empresas de cabo se parecerão cada vez mais com as companhias telefônicas. Os sinais de televisão chegarão por terra (cabo) e os de telefone pelo ar (satélite). Vão se aliar com as telecomunicações.
  4. Todos os meios serão “multimídias”. Não já sentido em falar de meios impressos e/ou audiovisuais, pois todos serão eletrônicos.
  5. Os caixas automáticos dos bancos serão as novas bancas de jornal, e a imprensa será enviada a domicílio por via eletrônica. A distribuição física deixará de ser rentável.
  6. Chegaremos à personalização das mensagens jornalísticas e publicitárias. Os meios e as mensagens pra todos são os meios e as mensagens para ninguém. A fragmentação das audiências anuncia a morte dos “mass media” e o nascimento das “micromedia”. O futuro se chama Data-Base Jounalisn e Data-Base Marketing.
  7. Redações e gerências devem falar a mesma língua. Precisamos de jornalistas que entendam de negócios e gerentes que entendam de jornalismo. O primeiro “dever ético” de uma empresa informativa é ganhar dinheiro.
  8. O jornalista de qualidade será um profissional raro. É preciso reconstruir as empresas informativas ao redor do “núcleo duto” das redações. Não se pode fazer jornalismo sem jornalistas. Diante do “jornalismo light” o futuro se chama: informação, informação: ideias, ideias.
  9. As antigas empresas jornalísticas se converterão em novas “refinarias informativas”, e a tecnologia deixará de ser uma “vantagem competitiva”. Os meios se diferenciarão somente por sua própria “octagem informativa”.
  10. Só terão futuro aquelas empresas que aplicam em investigação e desenvolvimento. “Não serão os grandes que comerão os pequenos, serão os rápidos que comerão os lentos”. Em tempos de crise, “deve-se pensar internacionalmente, pensar futurísticamente, pensar antes que os outros”.

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Juan Antônio Giner é Presidente da Inovación Periodistica, Consutores, na Espanha, membro do Comitê sobre o Futuro dos Jornais da American Spciety of Newspaper Editors e research fellow do Canter Information Policy Research da Universidade de Harvard.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Pequena viagem sobre histórias dos rios da cidade de São Paulo



Recentemente esteve na cidade de São Paulo a diretora do programa Water inthe West, Newsha Ajami, também pesquisadora da Universidade de Stanfor, na Califórnia.  Segundo comentários e notas da imprensa, ela ficou espantada  quando viu um  enorme e caudaloso Rio, o Tietê, cortando uma cidade que está no meio de uma crise hídrica.

Rio Pinheiros, uma imagem que mostra a sinuosidade dos rios da Capital
Esse olhar estrangeiro de admiração sobre as águas do rio, deve ter sido igual aos dos padres Jesuítas  ao verem pela primeira vez os rios que serpenteavam essas terras, só que por motivo inverso, pois ali viam uma incrível fonte de vida..

 Há quem desconheça que a  cidade de São Paulo já teve sobrenome: Piratininga.  Nome esse que em Tupi Guarani significa peixe seco (Pira=peixe e tininga=seco).

Verdade!!! Porém,  não estavam secos devido a  falta de água,  ao contrário,  era por sua abundância. Naqueles tempos quando transbordavam,  os rios paulistanos avançavam  por uma grande área e ao voltarem para seus leitos deixavam enormes quantidades de peixes pelas várzeas.  Segundo o padre José de Anchieta, até 12 mil peixes ficavam encalhados e a secar ao sol.  Fico imaginando que os índios colhiam peixes ao invés de pesca-los, além de tornar mais fácil a caça de outras presas que igualmente iam aproveitar dessa colheita.

Por este motivo a região onde fica a capital paulista sempre foi cobiçada por suas águas limpas e alimentos fartos,  tanto que eram cinco aldeias indígenas que ali viviam quando chegaram os portugueses, que pelos mesmos motivos resolveram ficar por lá.
Mas não era só de Tietê, esse que vemos ainda como rio, que vivia São Paulo. Haviam outros grandes rios, como o Ipiranga e o Rio Piratininga, o que deu sobrenome a antiga São Paulo e depois  foi rebatizado como Rio Tamanduateí; tamanduá grande. O motivo dessa troca? É que justamente por ficarem aqueles milhares de peixes a secarem ao sol,  apareciam milhões de formigas... Prato dos tamanduás que viviam aos montes por aquelas matas.

Assim, esses rios proporcionaram uma cadeia alimentar que nos fez chegar na São Paulo de hoje: milhares de peixes atraiam milhões de formigas que atraiam centenas de tamanduás e toda a facilidade e riqueza ali existentes atraíram centenas, depois milhares e milhões de seres humanos, que agora passam com seus carros por cima desses rios e de todos os seus afluentes, escondidos embaixo da terra entre canos e asfaltos.
Uma vista do Rio Tamanduateí

 
Hoje o Tamanuateí está mais para tatu do que tamanduá. Pouco do que não está encoberto nem é percebido como um rio, mas como um feio canal ao lado do mercado municipal. E pensar que ele já beirou a Rua 25 de Março! Quem é que nunca se perguntou por que aquela ladeira que desce a 25 se chama porto, se ali não tem mar ou mesmo rio? Sim, ali era um Porto Geral de onde saiam pequenas embarcações que cobriam várias áreas da cidade.
 
Rio Tamanduadei entre a Ladeira Porto Geral
 O que aconteceu para tanta mudança?

 A presença de tantos rios que foi o motivo da existência da cidade, quando passou a atrair milhares de seres humanos e não mais os tamanduás, transformou-se em um obstáculo para aquilo que se chama progresso.  Os rios tiveram que ceder espaço para o tal desenvolvimento urbano.

“Não temos alternativas”, diziam alguns, como dizem ainda hoje.  O que poucos sabem é que São Paulo tem e teve alternativas, inclusive uma que poderia tê-la transformado em uma bela e linda cidade cheia de rios, parques  e com uma rede de transportes urbanos iguais ou até melhores que as de muitas capitais europeias.

Vista da Várzea do Carmo

Porém, a uma certa altura de sua história optou por  privilegiar o automóvel, que se transformou na palavra chave da modernização. O marco para essa opção aconteceu na década de 20, quando na Politécnica se travou uma disputa de ideias sobre o destino dos rios e do sistema viário da Capital.

Projeto de Saturnino de Brito
De um lado estava Saturnino de Brito, então Presidente da Comissão de melhoramento do Rio Tietê criada por lei municipal em 1923, com a tarefa de desenvolver mais um projeto para o rio. Até hoje esse projeto de  Saturnino é visto como uma obra de arte entre todos os projetos para o Rio Tietê.  
O Rio Tietê era utilizado para o lazer do paulistano
 
Ele garantia a integridade de seu leito maior e da  várzea maior, na  confluência deveria ser formado um lago, como o Ibirapuera, que seria o coração de um núcleo aquático da formação de parque.
O Tietê perderia 20 km em cumprimento e formaria  dois lagos. Saturnino eliminou a necessidade dos diques, optando por canais de dois tipos que dariam conta de escoar as águas. Em Mogi das Cruzes, seria construída uma represa para regularizar o escoamento, além de outras represas menores nos afluentes e de quatro eclusas para facilitar a navegação. Até uma ilha fazia parte do Projeto, que ficaria nas imediações da Ponte Grande e toda a sua várzea ganharia um parque linear.

O pensamento de Saturnino era de longo prazo,  visto estar em seu projeto uma visão viária urbana, tendo a hidrovia, a ferrovia e as avenidas como metas possíveis, ao mesmo tempo em que a cidade poderia aproveitar o que tinha de mais belo.


Inundação na Várzea do Carmo - hoje Parque Don Pedro II
 

Rio Itororó 1942 - hoje Avenida 23 de maio.
Só que do outro lado estavam os Engenheiros Prestes Maia e Ulhôa Cintra, com o plano  do sistema radial concêntrico de avenidas. O discurso deles caia como luva no sonho da elite paulista, que naquela época via como imagem de progresso as novas cidades americanas, cheias de prédios altos adornando largas avenidas, por onde passavam seus automóveis, símbolo de modernidade. Muito diferente daquelas imagens de mato e água em plena cidade, que no pensamentos deles poderiam ficar nas fazendas, onde tinham serventia, mas não na cidade.

Assim, a dupla falou a língua que os barões queriam ouvir e conseguiram vender a ideia. Claro que eles não  avisaram aos barões que em outros lugares admirados por eles, esse sistema só foi implantado depois que os anéis ferroviários já estavam em funcionamento e antes desses, os anéis  hidroviários. Era só queimar essas duas etapas e tudo bem, os carrinhos passariam logo sem problemas pelas belas e progressistas avenidas. A nova imagem de São Paulo.
 
Alagamento na 23 de Maio
Afinal, como ouvi no documentário que inspirou essa postagem, “Entre rios”, e que deixarei ao final, eles não estavam interessados em vender trens ou barcos e sim carros.
 
Para complicar, quando Prestes Maia foi nomeado Prefeito da cidade de São Paulo, em 1938, pelo interventor Ademar de Barros, pode facilmente colocar seu plano em ação. A forma que encontrou  para baratear os custos foi aproveitar  os fundos de vales, áreas dos rios e córregos, áreas úmidas e alagadiças, o que foi seguido por outros, para a construção de avenidas como a 23 de maio, marginais Pinheiro e Tiete, Nove de Julho, av. do Estado. Ou seja, onde passavam as águas passariam os automóveis.



“Podemos mudar os cursos dos rios, mas não podemos mudar a sua natureza” e hoje pagamos um preço caro por essas escolhas e  as consequências nos batem à porta.

Por ironia, a cidade que cresceu devido a sua riqueza hidrica, hoje vive o drama de uma crise hidrica. Sobra água para as enchentes e falta água nas torneiras. Será que aprenderemos essa lição? Pelas escolhas que os paulistanos andam fazendo, acredito que não.





Aqui há um mapa com os rios invisíveis de São Paulo.
Clique o mapa para vê-lo em tamanho maior.




Deixo abaixo o documentário de onde peguei muitos dados desse texto. 
Um documentário que todos deveriam assistir... Entre Rios - A Urbanização de São Paulo

 

sábado, 24 de janeiro de 2015

André Rieu e Carlos Buon. Violino e Acorden... Astor Piazzolla ...








... Momento fantástico... É para ouvir de olhos fechados, deixando-se livre para viajar pela energia transmitida por tamanha harmonia e vibração.

Deixar as células dos corpos livres para captarem todo poder desse estado que faz uma ponte direta com nossa alma. 

AH!!! A música é o que mais nos deixa perto dessa vibração de desprendimento da matéria densa... Mesmo que não saíamos do lugar nossas moléculas dançam, se revitalizam e se organizam... Curam muito mais do que podemos imaginar, pois só elas conhecem a desarmonia que as atingem. Desarmonia que chamamos de doença. 

Se o corpo puder acompanhar o ritmo, deixando-se levar sem censura ou especulação da mente, melhor ainda... Harmoniza interna e externamente, até o ambiente. 

A música tem esse poder de nos reaproximar do humano e divino que existe em nós ou nos distanciar ainda mais dele. Depende da vibração que transmite.

Esta, com certeza, nos deixa muito próximos da beleza interna da vida!

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