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sábado, 7 de abril de 2012

Otimismo voluntário


Vivemos em uma sociedade doente e a violência é uma de suas manifestações. Não falo apenas da violência que agride o físico, mas de todas as suas formas de agreções a vida. 

Trabalhei em lugares onde vi e convivi com o resultado dessa doença social que afeta a cada um de nós e, em última instância, tem afastado muitos Seres de sua humanidade. 

Não precisaria trabalhar em presídios e manicômios para conhecer essa verdade, pois ela está a nossa volta. Mas quis a Vida me dar essa oportunidade de estar frente a frente com o que temos para lá do fundo do poço. Sei que depois dessa experiência me tornei uma pessoa  mais grata, mais humana e otimista. 

Diria que conviver com as dores alheias pode nos aproximar do coração e ele alarga nossa visão, nosso mundo e por vezes a nossa percepção. Também pode ocorrer o contrário, quando optamos por congelar o coração para conseguir lidar com essas situações. Sempre falaram que eu era uma manteiga derretida, então, essa opção de congelamento não daria certo em mim nem que eu quisesse.

Diria que individualmente passamos por várias situações difíceis na vida e as vezes o coração aperta a ponto de parecer que vai explodir, feito aquelas bolas de gás das festas de aniversário. É que falta espaço? Nessas horas não adianta muito apelar para a razão, porque tudo na mente se confunde na mistura descontrolada dos pensamentos que surgem de lugares inimagináveis de nosso ser... E quem sabe de outros. 
 
Muito da violência que encontramos hoje é fruto dessa inabilidade de lidar com essas dores ou mesmo a sua negação. A inabilidade de lidar com o que vai ao coração, pois é lá que o extrato dessa dor se aloja para ser transformado.
 
Estou refletindo sobre isso porque sinto um avanço dessa violência  e de um pessimismo a um nível mais generalizado, atingindo até movimentos que lutam a favor da vida. Essa violência pode se dar de várias maneiras e algumas até sutis, mas que corrompe princípios quando em nome da justiça se comete injustiças, usando-se as mesmas armas daqueles que criticamos.

Esses dias fiquei angustiada com essa sensação e pedi auxílio para entender o que acontece e como agir. Como sempre faço, peço e deixo quieto para que possa ver a resposta que a Vida vai enviar.

Não demorou muito e abri “equivocadamente” um link que me levou ao colo dA Mãe (Mira Alfassa) e no momento que li o texto abaixo soube que era a resposta que havia pedido.

“O pessimista e o Otimista”. 

"A meu ver, o estado ideal é aquele em que, constantemente consciente de Tua Consciência, sabemos a cada instante, espontaneamente, sem qualquer reflexão necessária, o que deve ser feito exatamente para melhor expressar Tua lei.
Este estado, eu o conheço, porque me encontrei nele em certos momentos, porém, muitas vezes, o conhecimento do “como” é velado por uma bruma de ignorância, e devemos apelar para a reflexão, que não é sempre uma boa conselheira, sem falar em tudo o que devemos fazer a cada minuto, sem ter tempo para refletir, ao sabor da inspiração do momento. Até onde é ela de acordo ou contrária à Tua lei? Depende do estado do subconsciente, do que está ativo nele naquele momento.
Uma vez o ato cumprido, se tiver qualquer importância, se pudermos olhá-lo, analisá-lo, compreendê-lo, ele serve de lição, permite tomar consciência do motivo da ação, e portanto de qualquer coisa neste subconsciente que ainda governe e deva ser controlado.
É impossível que em toda ação terrestre não haja um lado bom e um lado mau. Mesmo as ações que expressam melhor a lei do Amor, a mais divina, contêm em si qualquer coisa da desordem e da sobra inerentes ao mundo tal como ele é atualmente. Certos seres, aqueles que chamamos de pessimistas, percebem quase exclusivamente o lado sombrio de todas as coisas.
Os otimistas, ao contrário, não vêem senão o lado de beleza e de harmonia. E se é ridículo e ignorante ser um otimista involuntário, não será uma feliz conquista se tornar um otimista voluntário? Aos olhos dos pessimistas, o que quer que façamos será sempre mau, ignorante ou egoísta; como fazer para satisfazê-los? É uma tarefa impossível.
Há apenas um recurso: unir-se tão perfeitamente quanto possível à luz mais elevada e mais pura que possamos conceber, identificar, também, tão completamente quanto possível, sua consciência com a Consciência absoluta, esforçar-se para receber dela apenas todas as inspirações, para melhor favorecer sua manifestação sobre a terra, e, confiante em seu poder, considerar os eventos com serenidade.
Desde que tudo está misturado inevitavelmente na manifestação atual, o mais sábio é fazer o melhor, esforçando-se em direção a uma luz sempre mais elevada e resignar-se com o fato de que absoluta perfeição é, no momento, irrealizável.
Com que ardor, no entanto, é preciso aspirar sempre por essa perfeição inacessível.".
Extraído do livro Preces e Meditações – A Mãe- Ed. Shakti

Então, continuo com meu otimismo, 
agora voluntário,
 fazendo o melhor que posso e
aspirando ardentemente a Luz e a Paz, 
  Porque eu quero é 
Ser Felizes Agora
Como diz a música de Oswaldo Montenegro.

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