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terça-feira, 12 de abril de 2011

Mudando paradigmas IV: Um pálido ponto Azul - reflexão de Carl Sagan

O astronauta russo, Yuri Gagarin, há 50 anos constatou que a Terra é Azul. Indo na contramão, vou um pouco mais longe, quero lembrar de outra imagem da Terra. Uma imagem registrada pela Voyage no dia 14 de fevereiro de 1990, há 6,4 bilhões de quilômetros de distância, onde o Planeta que habitamos é apenas um “Pálido ponto azul".

Em 1994, Carl Sagan, lançou um livro com esse título, baseado nessa imagem que ele pediu para ser tirada, onde faz uma profunda reflexão sobre nosso planeta. Em 1996, ano de sua morte, em uma conferência, Sagan fez uma belíssima reflexão sobre a  pequenez da Terra vista lá dos confis do sistema Solar.



Um vídeo e o texto

 
 


                                              Texto com a Reflexão de Carl Sagan
"Olhe de novo para esse ponto. É a nossa casa, isso somos nós. Nele, todos a quem amamos, todos a quem conhecemos, qualquer um de quem escutamos falar, cada ser humano que existiu, viveram as suas vidas. O agregado da nossa alegria e do nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e colheitador, cada heroi e covarde, cada criador e destruidor de civilizações, cada rei e camponês, cada casal de namorados, cada mãe e pai, cada criança cheia de esperança, cada inventor e explorador, cada mestre da moral e da ética e cada político corrupto, cada superestrela, cada líder supremo, cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu aí, num grão de pó suspenso num raio de sol.

A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, vieram eles ser amos momentâneos de uma fração desse ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores dum canto deste pixel aos quase indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes as suas incompreensões, quão ávidos de se matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.

As nossas exageradas atitudes, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de alguém que possa nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que alberga a vida. Não há mais algum, pelo menos num futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, por enquanto, a Terra é onde temos de ficar.

Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza de caráter e humildade. Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso minúsculo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portarmos mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o pálido ponto azul, o único lar que conhecemos.".

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